Giovanne Pessoa Baracho
Chaiane Magalhães Melo
Eduardo Souza da Silva
Emanuel Stefano de Oliveira
Ivan Dantas de Andrade Júnior
Lucas Gabriel Pessoa de Paula
Rafael Augusto Batista de Medeiros
A suplementação de creatina exerce influência em modalidades de alta intensidade?
INTRODUÇÃO
Segundo os autores Domingues e Marins (2007) e Hunger et. al (2009), na contínua procura pela melhora do desempenho, vários pessoas buscam meios de potencializar a capacidade de realizar trabalho utilizando técnicas e recursos ergogênicos com o intuito de atingir seus objetivos em curto prazo. Dentre estes recursos, destaca-se a creatina, que é uma combinação dos aminoácidos glicina, arginina e metionina, conhecida como ácido metil-guanidinoacético, que é sintetizada pelo organismo e encontrada em alguns alimentos como em forma de suplementos nutricionais.
Há controversas na literatura em relação ao efeito ergogênico da creatina, materiais, métodos e individualidade biológica são variáveis que podem influenciar nas divergências científicas a respeito dos efeitos da creatina.
OBJETIVO
O presente estudo tem como objetivo analisar a influência da suplementação de creatina no desempenho em modalidades de alta intensidade e curta duração, como a corrida de 100 metros.
METODOLOGIA
Este estudo foi elaborado a partir de uma revisão narrativa de quatro artigos que tratam da temática sobre o uso de creatina por corredores velocistas e em exercícios de alta intensidade e curta duração.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Segundo Oliveira et. al (2013), houve uma melhora no rendimento dos atletas que utilizaram creatina no teste sprint de 100 metros, por meio de uma redução na média dos tempos do grupo creatina em relação ao grupo placebo. Nos testes de velocidade (30 metros) e corrida de 40 segundos não foi observado diferenças significativas no desempenho de ambos os grupos.
Dos 7 estudos que relacionaram a suplementação de creatina e corridas de velocidade na revisão sistemática de Terenzi (2013), em 4 houve influência positiva como melhora do desempenho anaeróbio e redução da fadiga no grupo suplementado, nos outros 3 não houve melhora no desempenho.
O único estudo da revisão sistemática de Gualano et. al (2008), que envolvia a suplementação de creatina em velocistas, houve redução do tempo total de execução dos sprints.
A fosfocreatina celular, juntamente com seu ATP, é conhecida como sistema energético do fosfagênio. Em conjunto, podem proporcionar uma potência muscular máxima por um período de 8 a 10 segundos, quase o suficiente para uma corrida de 100 metros. Assim, a energia proveniente do sistema do fosfagênio é utilizada para os curtos surtos máximos de potência muscular (GUYTON; HALL, 1997).
A suplementação de creatina pode, então, aumentar a taxa de ressíntese de ATP e melhorar o desempenho em exercícios de alta intensidade e curta duração. Acredita-se, ainda, que o aumento das reservas de CP possa favorecer o tamponamento da concentração de íons H+, retardando o aparecimento da fadiga, uma vez que a CP atua na conversão de ADP em ATP, também mediada pela ação da enzima creatina fosfato (ALTIMARI et al., 2010).
CONCLUSÃO
A suplementação de creatina influencia na melhora do desempenho de corridas de 100 metros, pois apresenta caráter anaeróbio alático, por utilizar primordialmente o sistema ATP-CP como fonte de energia e ter o tempo de prova correspondente ao tempo de predominância de fornecimento desse sistema: 10 segundos.
Ressaltamos que há estudos que demonstram evidências positivas à utilização da suplementação de creatina, melhorando o rendimento em atividades de alta intensidade e curta duração, entretanto também há na literatura estudos apontando que nem sempre isso acontece.
Estudos bem controlados devem ser realizados para melhor responder à essas questões, pois variáveis metodológicas que influenciam na resposta à creatina podem estar ligadas às divergências encontradas na literatura.
REFERÊNCIAS
GUALANO, B. et al. Efeitos da suplementação de creatina no exercício intermitente de alta intensidade: divergências e recomendações metodológicas. Revista Brasileira de Cineantropometria e Desempenho Humano, v. 10, n. 2, p. 189-196, 2008.
OLIVEIRA, R. I. D. et al. Os efeitos da suplementação de creatina na performance de corredores velocistas - 100 e 200 metros. Revista Brasileira de Prescrição e Fisiologia do Exercício, São Paulo, v. 7, n. 42, p. 540-547, 2013.
SILVA, E. G. B.; BRACHT, A. M. K. Creatina, função energética, metabolismo e suplementação no esporte. Revista da Educação Física/UEM, Maringá, v. 12, n. 1, p. 27-33, 2001.
TERENZI, G. A creatina como recurso ergogênico em exercícios de alta intensidade e curta duração: uma revisão sistemática. Revista Brasileira de Nutrição Esportiva, São Paulo, v. 7, n. 38, p. 91-98, 2013.

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